"Você não vai me dar parabéns?", eu perguntei ao meu pai.
"Ah, parabéns... É, parabéns! Apesar de você não ser mais criança."
"Mas todos temos uma criança interior..." (lugar-comum mais batido que tudo)
"Temos, mas ela vai se adultando."
Será? Quer dizer, "todos temos uma criança interior" pode ser batido, mas não usado tanto à toa. E se a criança fosse crescendo, não seria mais criança. O que eu penso que acontece é que nós a oprimimos, achando que temos sempre a razão, afinal somos mais velhos e responsáveis, temos um compromisso com a sociedade, enquanto a criança, bem, é só criança. É como a reação de não ouvir o seu irmão caçula quando ele dá um conselho.
Mas a criança está lá, sempre está, e às vezes a deixamos escapulir, quando fazemos uma piada inapropriada e tola, mas engraçadíssima, quando brigamos pelo controle remoto, quando dá vontade de brincar no parquinho, e nós realmente vamos (escorregador não é o máximo?),
quando choramos e "chutamos o pau da barraca" porque não conseguimos; depois a gente vai e tenta de novo. Quando não paramos de fazer perguntas irritantes, mesmo que tenhamos percebido que chegamos ao limite de paciência do outro; quando topamos uma guerra de comida, rebolamos no meio da rua e cantamos sem nos importar, querendo apenas ser feliz! Yeahh, já reparou que a criança vem nos salvar quando estamos estagnando na nossa rotina adulta e chata? Nós, os adultos responsáveis (demais), comprometidos com a sociedade (demais), os adultos donos da razão.
Por isso, apenas por isso, e por tudo isso, é que devemos deixar o pirralho interior respirar de vez em quando, pois são as crianças que vão atrás das coisas mais essenciais e banais da vida sem medo: felicidade, amor e... doces.
Parabéns a todos que são (ou têm em si) crianças!