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3 de junho de 2012

Não pode faltar no meu verão...

Imagem daqui

Tenho marcas até hoje de uma vez que esqueci o prototetor solar...

27 de maio de 2012

Maio(s)

Escuto a música vindo baixinho do meu quarto. Contida. Assim estou. Essa mesma música é retrato de janeiro ensolarado e quente, tempos de recuperação e fantasias. Logo em seguida fevereiro, com seus ares agitados, rotina pesada que chega. Março com águas que levaram minha alegria, lavaram meus olhos e um pedaço dessa triste realidade ficou exposta e crua para mim. Desde então não sou mais a mesma. Preferia não ter recebido esse “presente”, eu acho. Abril passou mudo e maio já está se dirigindo para a porta de saída. Mas antes que isso aconteça e mais uma página do calendário vá para o lixo, gostaria de dizer que nem sempre foi assim.
Nos últimos dias, uma inquietude se apossou de mim. A vontade de ler Desculpa se te chamo de amor é tamanha que vejo toda a poesia e romance do livro em qualquer coisa que olho. Todos falam, todos percebem, e mesmo assim isso não me traz o que mais anseio. Penso que esse desejo repentino pelo livro tenha explicações que vão além do simples fato de eu ter gostado da leitura (como boa psicóloga tenho que procurar razões para as coisas, claro). Foi abril, do jeito que o céu estava azul era abril mesmo. Porque é assim que tenho esse mês na memória: azul. E todo o romance e surpresas do livro, e a simultaneidade também. Como o mar que se agita e depois se acalma, lembro-me de ficar chateada com alguns momentos do livro em que a estabilidade era tanta que chegava a ficar chato, e parecia que nunca ia mudar. Coitada de mim, à época nem percebia que isso também faz parte de uma relação, de um amor, e esse é o verdadeiro sentido do farol: o sentimento também guia nesses momentos cotidianos e naqueles em que parece que não há saída também. Mas eu só conseguia ver intertextualidade com a minha vida, e sonhar, e ligar os pontos de um desenho sem forma para os outros, com sentido só para mim.
E a verdade é que adentrei maio lendo esse livro, ele me acompanhou pelo o que pareceu uma eternidade naquele mês em que o frio chegava enquanto as paredes eram pintadas de amarelo e a janela de azul. Aquela reforma foi divertida como todas as outras quando eu era criança. Ah, como sinto falta da minha casa, e daquelas páginas, e das tardes de sol, e soneca, e ansiedade pela festa, e noites sem fim à luz da tela. Eu era tão feliz sonhando, chamando de amor, sem pedir desculpas.
E a verdade é bem essa da leitura do livro: abril e maio sempre me pareceram um, distintos de alguma forma, mas nas lembranças cheios de momentos que se intercalam. Grandes intervalos de tempo em que reina um céu de azul muito intenso e sol morno, quase um abraço. É quando as neblinas começam anunciando dias deslumbrantes. Naquele ano, esses meses ficaram marcados para mim, definiram-se como o que sempre foram... E agora, quando tudo parece tão apático, queria resgatar esses dias de cor. Mas parece que ainda estão muito presos na memória...


20 de janeiro de 2012

Almoço (relatos tc)

Uma das coisas mais impressionantes e maravilhosas é que havia sol. Há tanto que eu não via um sol radiante daqueles. Acordei mais tarde do que devia e seguimos nosso trajeto pela rua da minha última escola. As árvores brilhavam de um jeito que só acontece naquela cidade, aquele jeito familiar que eu encarei de novo com carinho.
Deixei claro que não queria colocar os olhos sobre a antiga casa. Quero manter intacta na memória sua imagem, e sei que hoje ela passa por reformas. Quero manter no coração a sensação de lar, e não de uma perda. Quero manter as chapas que cobriam a garagem, a capela que minha avó mandou fazer, a grama verde com a Lila correndo sobre ela. Quero manter os mesmos móveis no lugar, o cheiro da minha casa. A visão que eu tinha olhando de dentro para fora, e não de fora para dentro, querendo entrar e sabendo só traria mais saudade. Quero guardar a visão que eu tinha ao subir na mureta e olhar a rua de cima, e só.
Minha mãe concordou comigo. E fiquei feliz por isso, por ela também escolher o menos doloroso.
E foi com ironia que o rio não invadiu as ruas do bairro este ano, nem com nível alto estava. Notei que andar por sobre aqueles ladrilhos era diferente de andar por qualquer outro lugar da cidade. Ali, parecia que eu nunca tinha saído dali. Era quase como voltar da escola naqueles tempos em que tinha companhia até a rua de casa. E ao virar a esquina, esperava sentir um choque, arrepio, vontade de chorar, esperava reações. Elas não vieram. Pelo contrário, só foi maior a certeza de que nunca deixei de morar naquela rua larga e acolhedora. 
Enquanto minha mãe cortava o cabelo no salão de costume, fui até a padaria improvisar um café da manhã. A dona sempre me pareceu louca, e isso também não mudou. Fiquei feliz em ver uma velha casa reformada e habitada. Ela costumava ser realmente largada, com sua grama muito alta e grandes ferramentas enferrujadas penduradas na janela da frente, a grade azul anil suja. Agora é de uma cor que gosto muito, um tom que aparece Nescau, e aparenta ser muito limpa. Fiquei realmente feliz pela renovação, mesmo sem saber quem mora lá agora. Acho que, para mim, foi como uma representação material de que a renovação é possível.
Encontramos pessoas conhecidas no salão. Uma antiga professora passou rapidamente. Esperava mais euforia ao me ver, como antigamente. Depois me lembrei que não fiz nada de grandioso, ainda, para merecer um sorriso largo e várias perguntas. Faculdade não conta como "ato heróico", já que não fiz a escolha que eles consideravam a melhor. Mas não me deixei abalar, tenho no coração paciência, meu momento ainda vai chegar, ergo tijolos a cada dia para isso.
Tocamos a campanhia e, a princípio, ela não nos reconheceu. Minha "avó postiça". A visita ali também foi breve, mas torci para as lágrimas não virem à tona. Alguém fazia o almoço enquanto conversávamos na sala. Uma cadela de pelúcia que já foi minha estava no sofá oposto ao nosso, em demonstração de carinho, e nossa anfitriã em sua cadeira do papai cor creme. Contamos do réveillon, naves espaciais e empolgação.  Ela perguntou o inevitável e me vi embaraçada ao falar do assunto. Parece que a ferida ainda não está totalmente cicatrizada. Ela parecia já saber que não daria certo de qualquer jeito. 
Depois, seguimos para o almoço. O convite inesperado, que aceitamos, para a nossa própria surpresa. Ovos fritos, comida caseira, simples, mas gostosa, panelas de barro, muita salada, fartura. Comida mineira. Senti-me visitante de minha própria terra. E conversamos de várias coisas, tão à vontade naquela casa que nunca tínhamos adentrado tão profundamente. De presente, um livro de receitas, de encanto, um bebê, Júlia. Acho que nunca gostei tanto de uma criança. O que mais admirei foi não haver nenhum choro, apenas vontade de explorar, aprender. Pude ver que compreendi mais de algumas aulas do que imaginava.
Ali parecia um mundo a parte, de aconchego, conversas amigáveis, amor fraterno, conforto e simplicidade, alegria. Foi nossa visita mais longa. Até que atravessamos o portão, trocamos mais algumas palavras e demos uma última olhada para nossa rua, na direção da casa que um dia foi nosso lar, mas sem nunca enxergá-la de frente. Eu a enxergo com os olhos do coração nas lembranças, e não é preciso estar a poucos metros de distância para isso.

14 de dezembro de 2011

O sol

Ontem foi nosso primeiro encontro. Muitos ainda virão pelo visto, mas não me importo. É algo que gosto de fazer. Já me senti aliviada com aquela uma hora de desabafo, com as pinceladas de humor entre minhas frases.
Logo que entrei no consultório, me deparei com vários brinquedos e por um momento pensei que tivesse marcado horário com a pessoa errada. Até que ela me conduziu para o outro lado da divisória e estávamos em um ambiente muito confortável e simples. Sofá e duas poltronas, almofadas e janela aberta para o fim de tarde pós chuva. Eu já havia ido preparada para isso sem saber. Tirei meus chinelos e cruzei as pernas sobre o sofá, lugar onde escolhi sentar. Gostei disso de escolher meu lugar.
Das coisas que conversamos, uma eu gostaria de compartilhar. É o que ela diz a todos os paciente (me perguntei se para as crianças também, mas enfim...). Todos somos como o sol e cada raio é um papel que temos: filho(a), homem/mulher, estudante, vizinho(a), amigo(a), namorado(a), ou não... E não dá para ser sem nenhum desses raios, senão o brilho não é o mesmo.
Não espere que ninguém seja seu sol, deixe seus próprios raios brilharem, todos eles.

28 de janeiro de 2011

Janeiro, azul como o mar

Não dá para postar em cinco minutos.
Escrever sobre os meus pedaços incríveis de férias em pouco tempo, escolher o que tentar colocar em palavras. Pedaços de férias porque tive passeios e estudos intercalados desde dezembro. Escolher porque me aconteceram muitas coisas e contar todas tornaria o post muito longo. Tentar colocar em palavras porque tem coisas que são simplesmente indescritíveis...
Acho que vale à pena começar em meados de dezembro, quando estive em Juiz de Fora.

Essa última vez foi diferente. Um pouco de costume, já saber o que encontrar, um pouco da companhia, que ajudou muito, um pouco de pés nos chão, vontade de passar numa federal... Muito ajudou pra fazer dessa viagem de provas também uma viagem de descanso. Inesquecível, de verdade. Até carregar uma mochila quase do meu tamanho pelas ruas do centro foi divertido. Ah, aquele dia foi o melhor...

Viagem de ano novo. E eu sei que fiquei devendo fotos da última vez, mas agora imagens falarão mais que eu.







Amor à primeira vista, fiquei apaixonada por esse lugar.


E tive que voltar lá dessa vez...

 Em janeiro as praias ficam muito cheias e por essas e outras eu costumava dizer que odiaria praia (isso antes ir até uma).
Mas momentos como o nascer do sol fazem  valer à pena a "muvuca" que se segue. Andar na beira do mar, sentindo a onda, esse "bichinho do mar", ir e vir, levar a areia por sob os pés... cócegas!
O espetáculo começa antes mesmo de chegar o sol.
Vai chegando o primeiro barco...
Também chega o transatlântico *.*
E a essa hora a praia já está pronta para mais um dia. Várias pessoas já passaram caminhando, outras viram o nascer do sol também. Alguns acordaram cedo, outros viraram a noite e estavam tontos na praia.
Aí pessoas alegres e abobadas com o mar como eu querem catar todas as conchas que vêem pela frente...





Passeamos de barco. Foi incrível! E depois eu realmente fiquei me sentindo parte do mar, afinal, conseguimos esquecer o protetor solar e viramos camarões ambulantes. E como não podia deixar de ser, tive meu "batismo de mar" nesse dia. Ah, como é gostoso estar no mar! PS: Eu sabia que a água do mar era salgada, mas nunca me avisaram que é incrivelmente salgada daquele jeito... Tá explicado porque dá pra boiar tão fácil. Também tá explicado e comprovado pra mim porque não há vida no Mar Morto, imagina o gosto daquilo...
 
Olhar e não ver fim. Olhar e ver uma baleia! E tantas tartarugas pelo caminho... "Tartaruga, 3 reais! Macaco, 7,50! Golfinho 10 reais! Baleia, 50 reais!" O capitão é muito simpático, a tripulação também...  
Capitão: "Segurem chapéus, boné, peruca para não voar."
*vento*  
Senhora: "Meu chapéu!"   
Capitão: "Estamos voltando para pegar o chapéu da senhora..."




Gruta azul, que no momento não estava azul, mas fria com certeza estava.

A Casa da Flor. Finalmente conheci o cartão postal com meus próprios olhos. O Vivi, parente do próprio Gabriel dos Santos, guia as pessoas por lá e é muito simpático. A pessoa certa pra cuidar do lugar, pena que a casa não é muito valorizada pela prefeitura local.


Visitamos outros lugares, curtimos preguiça na rede por um dia todo, mais algumas horas dos dias seguintes... Rede na varanda, no quarto, virei fã de rede, aquilo é ótimo pra deitar e não levantar mais... Os fogos de réveillon foram lindos! Assistimos a varios filmes (uns bons, outros nem tanto), já que choveu bastante também. Dias quentes, noites de vento. Gostei muito do passeio em Araruama, pena que a câmera descarregou no dia. Fomos escutando boa música, só que infelizmente o Luiz queria cantar junto... :p
Andei mais pelas ruas de Cabo Frio. Vi um siri! E mais um monte daqueles bichinhos de pedra que eu não sei como chamam. Pescadores de peixe, camarão, inúmeros barcos de uma vez só... Comi lula pela primeira vez. Já comi com dó porque vi o bichinho antes de ficar pronto (sim, sou muito fraca pra essas coisas), e no final das contas acho que fico com o camarão mesmo. Mas experimentei muitas outras coisas deliciosas. Quem disse que é preciso estar em Minas para comer bem?
Dei um pulo até em Macaé, para comprar as passagens de volta. E como foi triste deixar tudo aquilo para trás, olhar para a lagoa pela última vez até o próximo mês, ou o próximo, ou o próximo... Sem saber quando voltar. A viagem só não foi ruim porque não vim sozinha, mas foi longa. Chegamos em baixo de chuva e ficamos com chuva uma semana. O rio só subia, alagou algumas ruas, e nada de parar de chover. Mas com alguma brecha andávamos por aí, ansiando pra chegar logo em casa e comer pão de queijo quentinho.
Pena que uma hora acaba. Mas as lembranças são as melhores e não vejo a hora de "repetir a dose". Num calor como o de agora um banho de mar ou de mangueira seria bem vindo...

Abraço a todos!

25 de abril de 2010

Céu de abril


Pôr-do-sol. Ao colocar os pés para fora do portão, vi os raios de sol ecoando por entre as nuvens, a estrela se punha e deizava traços lindos disso no céu azul, como é sempre tão comum e ao mesmo tempo tão raro. Mas lá fora era tudo muito mais bonito do que imaginei. Não intenso, apenas lindo, como se isso fosse pouco. As nuvens todas agrupadas ondes os telhados das casas fazem o céu findar. Brancas e aglomeradas, guardavam atrás de si o sol, que deixava apenas os raios definidos iluminando todo o azul peculiar do céu de abril, em especial o céu de hoje. O contorno daquele aglomerado de algodão era bem definido pela luz estelar; tão definido, em toda a sua extensão. Lindo e perfeito. Poderia lembrar um monte de lugares ou simplesmente o aquie o agora. Confesso que era muito mais o aqui e o agora. Não havia fusão de todas as coisas, não havia saudade. Havia paz e certeza, de que tudo vai dar certo, seja lá o que for tudo. Vi o céu de fim de tarde, o céu de fim de abril. O céu que quero levar para a minha vida. Vi as nuvens se separando lentamente e querendo mostrar o que escondiam. Como é bela a natureza, aquela sensação de conforto que se tem apreciando-a. Quanta vontade dá de viver mais disso no dia a dia e descobrir mais dos seu segredos.


25 de janeiro de 2010

Lar, doce anêmona! - Tianastácia

Música passada para inaugurar o novo template e dizer um pouco do que ando sentindo, acho. Um misto de várias coisas, como em uma viagem, em que você se encontra em várias lugares diferentes em um curto espaço de tempo, e mesmo toda essa (con)fusão não fazem o dia perder sua beleza, pelo contrário. Eu queria mesmo era perder a noção dos dias...
Ontem, o dia estava bonito demais para ser gasto na frente do computador. O céu de um azul tão intenso, nuvens de algodão, brisa fresca. Incrível como nessas horas nunca aparece alguém disposto a curtir isso, todos curando as ressacas e febres de sábado. Mesmo assim, fui, só andar.
Nos últimos dias, notei, vasculhando em fotos antigas, o quanto a casa envelheceu em poucos anos. Será o flash que destaca a brancura da parede e o colorido das roupas, ocultando rachaduras? Quando foi que a pintura anterior começou a ficar visível? Notei que meu quarto era o único intacto, talvez pela pintura de poucos carnavais. Mas não, até ali as falhas começam a surgir. É coo se toda a mágica contida nessas paredes estivesse rachando, lascando, definhando. Todas as brincadeiras de criança guardadas na memória, e apenas nela. As manchas vão sumir, a assinatura rabiscada num canto escondido da parede, adesivos no portal de madeira, decalque atrás da cortina.
Olhando por fora com atenção e, sim, carinho, enquanto caminho pelo jardim, as coisas não pareciam tão terminais assim. Talvez demorem a realmente puir da maneira que imaginei.
Acho que os novos moradores não vão deixar que isso aconteça. Ninguém deixaria.
E o sol da tarde. Oolho para um canto, o portão branco. Ali, as tarde ensolaradas (de janeiro?) comendo espigas de milho recém-cozidas, compartilhando doces momentos com parentes que vinham de longe. A típica casa da avó, toda aconchego.
Outro canto faz lembrar dos primos que moravam perto. Bagunça, cartas de um baralho infantil, faz-de-conta, vídeo-game. Brinquedos surrados. Quem nunca brincou de "hominho" na vida? Nós brincávamos, brincávamos brincadeiras "de menino" naturalmente. E as "de menina". Brigávamos também. Até que um dia eles foram embora e nunca mais voltaram, não aqueles meninos de antes. Cresceram. E congelaram a receptividade à mesma proporção que minha ansiedade foi minguando nos meses seguintes de usa partida. Mas eu também cresci. Mesmo que tenha tido medo e tenha tentado me manter onde estava, cresci.
E então, talvez seja isso. Um dia, tudo o que conhecemos até agora muda e as portas de uma nova realidade se abrem. E, bem, isso é ótimo.
Ok, eu vou ter saudades, mas estou só mudando de casa - a não ser que ganhe na loteria e reforme esta. De qualquer maneira, ainda há coisas de que posso usufruir por mais tempo, como:


Ser mineiro é bão demais, uai!

5 de dezembro de 2009

Calvin + Ensaio

Ler ouvindo: Talk - Coldplay

Só para compensar a tirinha sem graça do post passado (à época parecia engraçada...), olha o que eu achei:
a)


b)

Adoro esses dois. Para quem quiser ler mais: http://depositodocalvin.blogspot.com/

Bom, e quanto ao resto, é só um ensaio. Você só vem quando eu estou doente...

"Engraçado como certas coisas acontecem quando a gente menos espera, e como as pessoas que a gente menos imagina marcam nossas vidas nas circunstâncias mais improváveis."

Entrei naquele hotel procurando uma resposta, qualquer fim para aquela situação ridícula de “meu pai tem uma amante”. A verdade é que queria também dar um fim na minha própria vida. Andaria com a mesma determinação para um precipício se houvesse um adiante. As coisas não andavam justas para mim.
Estava na recepção quando aconteceu. Claro que percebi uma música quando entrei, mas pensei ser um som ambiente ou qualquer outra coisa. Mas só quando me atentei às notas é que percebi que era real. Aquele som de piano invadindo meus sentidos à força e me tranqüilizando, contra a minha vontade, intrigando-me, fazendo com que eu me desviasse. Pode parecer ridículo, mas parecia me chamar. E eu a segui.
Levou-me a outro salão, onde tudo parecia dourado. Cortinas, paredes, o tapete cor de caramelo com desenhos harmônicos. Até as poltronas pouco ocupadas. Um mundo à parte. O sol batendo inclinadamente contra as cortinas fechadas parecia ser o responsável por esse efeito. E só se destacavam ali o piano, preto, e ele, o pianista, de costas para mim.
Atemporal. Fiquei parada observando-o por um tempo indeterminado. Para mim, pareceu uma eternidade, a melhor eternidade que eu já experimentara. Então, finalmente, ele se virou um pouco no seu banquinho, ficando levemente de perfil, os cabelos dourados destacando-se de uma maneira perfeita. Ele inspirou profundamente enquanto tocava as teclas do piano produzindo a melodia que não era nem triste nem feliz, nem doce nem nada. Era apenas o puro som que só o piano consegue produzir.
Fiquei, mas pela música. Sentei em uma das poltronas, com a mente já vazia, só aproveitando aquele momento. E observando à volta aquela atmosfera tão diferente do que eu sentia há minutos atrás. Uma grávida lia um livro, uma criança brincava fazendo ruídos baixos, um velho cochilava. Havia um homem em seu notebook também, algumas pessoas subiam e desciam pelo elevador daquele cômodo. Uma campainha estridente tocou na recepção, mas nada parecia perturbar o pianista.
Até que meu celular tocou (...) e, para a minha surpresa, ele parou de tocar. Depois olhou na minha direção com uma expressão que eu não soube definir, só sei que senti o sangue fluindo para o meu rosto. Que vergonha! Ele não parecia... bravo, mas é claro que fiquei incomodada. Todos perceberam que ele parou por minha causa. Quando finalmente achei o celular na bolsa, saí dali para atender. Passando pela grávida, que me encarava, pedi desculpas rapidamente, sem graça.
Era minha mãe.
- Não, mãe, já estou no hotel, e não vou voltar.
- Esqueça isso, por favor – a agonia dela acertou tão fundo meu coração que por um momento pensei em desistir.
- É o melhor a fazer. Confie em mim...
- Vamos repassar isso com calma...
- Não, mãe. A vida inteira foi assim – e enquanto dizia, voltava-me para a “sala dourada”, na direção do elevador – Está na hora de alguém além de nós assumir alguma responsabilidade. Já estou subindo.
Apertei o botão do elevador antes mesmo de conseguir chegar perto o suficiente para não parecer uma desesperada. E as portas se abriram no mesmo instante. Entrei e ao me virar percebi que ele olhava na minha direção. Balancei o celular de leve e pedi um “Desculpa” mudo, do tipo leitura labial (não intencional; o som que não quis sair). Ele pareceu responder um “Sem problemas” da mesma forma e dar um sorriso leve, e só então recomeçar a tocar. E tudo isso num intervalo de abrir e fechar de portas de elevador.

8 de novembro de 2009

Dreamer

Ler ouvindo: Be Be Your Love - Rachel Yamagata

Ninguém ia querer ler a droga que eu postei ontem, então resolvi fazer um post decente hoje (pelo menos, o máximo de "decente" possível). Espero que um poema ilustre a mente confusa...

Começar o dia com um amor inglês
Bagunça e aconchego,
lareiras, tapetes e cores em listras
Terminar o crepúsculo com um amor grego
todo o azul da ilha, todo o vento do mar
O sol, o calor...
Todo o conforto que alguém especial pode trazer
Não pense mal de mim, só tento me encontrar
Nessa inconstância
Confusão de desejos
Caminhos brilhantes, realizações eternas
Tento ver o fútil como a estrada que alcança mais
e sofre menos
Mas só consigo enxergar que a garota sonhadora ganha muito mais
Alcança mais e sente mais cada realização
Tem até poucos tropeços
Tem algo a seu favor
Pode demorar um pouco,
mas hoje eu aprendi que o que se procura
sempre acaba chegando às suas mãos
Quero ser seu amor real
Quando a minha estrela vai atender ao meu pedido maior?

17 de outubro de 2009

Conto de fadas [spoilers(?)]


Sempre foi um conto de fadas. Embora muito levasse a crer num terror, era mesmo um conto de fadas, com todos felizes para sempre. E engraçado que o fim não parece bem o fim. Ao mesmo tempo que é definitivo, parece cercado de acontecimentos tão casuais que poderiam muito bem gerar uma continuidade.

A tarde em que passei lendo uma parte não poderia ser mais apropriada. Céu cinza-arroxeado pós-chuva contrastando com o solzinho fraco que surgia, tudo observado através do vidro da janela azul fechada, daquele quarto onde já li tempos passados, quando a aventura era diferente. O tempo parecia não correr, parado em um horário indeterminado que parecia sempre quatro e alguma coisa da tarde.

Não há muito mais o que dizer. Despedir-me de Crepúsculo foi anciedade pura, esperando pelo filme iminente. O romance perfeito, que me deixou numa atmosfera em que nada, nada alcançava tamanha perfeição. Lua Nova teve um fim ausente, como a própria lua no céu, e deixou no ar algo bem parecido com o pôster que criaram para o filme. Um triângulo amoroso feroz, instável. Não gostei de Jake sair machucado. Eclipse teve um fim doloroso. Foi um livro para esse meu personagem preferido, que partiu no fim, deixando-me magoada sem saber do seu futuro incerto. Segundo e terceiro livro são como um, visto inclusive que Lua Nova teve um fim de efeito quase nulo sobre mim, talves por isso, por achar que as histórias podem muito bem se unir. Já Amanhecer mostrou-se totalmente afastado do resto da história, um caminho bruscamente diferente tomado. Raiva foi um efeito latente que produziu em mim a partir de um certo momento. Apaziguada depois, mas não esquecida. Só não mais latente.

É como se tudo que foi começado perfeitamente tivesse tomado rumos difusos e o esperado fim brilhante não tivesse vindo. Talvez isso tenha feito a separação, o fim, menos doloroso, mas acho que ainda preferiria uma obra-prima. De qualquer maneira, também tenho meus agradecimentos a fazer. Agradeço pelos momentos de êxtase, pela escrita gostosa de ler - inegável que é uma escritora talentosa, apesar de tudo - e por ter me mostrado, de alguma maneira, que estou no caminho certo.

8 de julho de 2009

Epitáfio

Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais
E até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer...
Queria ter aceitado
As pessoas como elas são
Cada um sabe alegria
E a dor que traz no coração...
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...
Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos
Com problemas pequenos
Ter morrido de amor...
Queria ter aceitado
A vida como ela é
A cada um cabe alegrias
E a tristeza que vier...
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...
Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr...

17 de junho de 2009

A garota invisível

Hmm... Falar o quê? Tenho pensado em tantas coisas - que novidade!...
Mas, falando sério. Odeio quando fico tentando fazer uma síntese de tudo o que queria dizer. Nunca fica bom, porque eu nunca consigo passar a mensagem real.
Bom, esta é uma tarde fria de junho. O sol sai tímido de trás das nuvens de vez em quando. Alterno minhas músicas entre Coldplay e McFLY e não converso com ninguém no MSN porque, francamente, navegar pela internet já não é mais tão interessante quanto antes, e as pessoas vão deixando de falar comigo...
Chata?! Será que eu sou tão chata assim? Hahaha, devo ser. Eu mesma, muitas vezes, canso de ficar comigo, por isso procuro incessantemente estar com as outras pessoas, para não ficar só comigo. Mas mesmo assim, me sinto sozinha a maior parte do tempo.
Acho que eu sou aquela pessoa estranha e esquecida que fica no canto e que vai sempre receber alguém com entusiasmo, ouvir com atenção o que você tem a dizer e procurar te ajudar. É que eu sou carente e tudo que eu quero é que as pessoas gostem de mim e que deixem de me ver como aquela pessoa de senso implorativo, sei lá... Pelo menos eu me vejo assim.Não sinto conquistar minhas amizades, só implorar por elas. Eu cansei. Eu tenho o direito de cansar. Mas, que droga!, o mundo não pára pra que eu me recupere. Os ponteiros do relógio continuam a correr, o sol nasce e logo se põe e eu ainda continuo aqui. Simplesmente aqui. Esperando alguém chegar e me salvar dessa vida. Eu ainda espero. Eu mudei o nome, o rosto, a maneira como acontecerá, mas eu ainda espero. É terrível admitir isso, mas eu ainda espero. Eu tenho plena consciência disso, mas não ajo pelo meu querer. Só espero. Por quê? É cômodo? Não! É desesperador ver o tempo passar e ir no embalo de uma fantasia doce demais, viver dela, dormir com ela, acordar com ela, me alimentar dela... Viver um ensaio enquanto a vida já está aí.
Às vezes, eu sou aquela pessoa que leva humor para a sua vida, aquela amiga engraçada que vai fazer você rir dos seus problemas e ver que a vida tem outras coisas boas. Vou ser sempre fiel e tentar fazer com que as pessoas se sintam bem, felizes. Como se minha companhia pudesse ser uma terapia. E por trás disso elas mal sabem que a maior terapia é pra mim. Eu fico feliz com pouco que as pessoas façam, desde que esse pouco demosntre que eu sou querida. Infelizmente, fico chateada com qualquer outro pouco que mostre o contrário.
Atenção o tempo todo? É isso que eu quero? Egoísmo? Não é egoísmo, é uma necessidade, e que acaba comigo, talvez por ser reprimida por mim mesma.
Sabe, talvez agora eu tenha entendido porque o garoto uma vez disse que se auto-avaliar era uma coisa que o ser humano não deveria fazer em hipótese nenhuma... É porque dói. Dói de uma maneira em que você chega a se sentir impotente...
Eu não queria mergulhar no inverno de novo, sabe... Eu só queria deixar de ser a garota invisível...
Essa era para ser uma tarde amena de junho...

30 de maio de 2009

Poema de Sábado


Tenho sentido minhas amizades vazias
Tenho sentido o frio da sombra onde o sol toca
mas não aquece
Tenho sentido o tormento das sextas-feiras anuladas
e das tardes de sábado útil.

Fantasmas do meu passado vem me assombrar
Medos que eu achei que não existiam mais...
O que está acontecendo comigo?

Eu só queria uma companhia
que apertasse minha mão
e me desse um abraço amigo sempre que eu precisasse
Só queria poder desabafar minhas angústias
de uma maneira que não fossem lágrimas silenciosas
no meio da tarde

Eu fujo da realidade correndo para o piano
Depositando palavras
sobre uma tela com tinta ainda fresca
Tentando afogar a dor...
É que eu não sinto ter um ponto de escape
e uma hora
a pressão é muito grande
Eu não sei se posso suportar
sem chorar

Eu gosto de pensar que há sol
em algum lugar lá fora
Eu gosto de transformar sonhos em palavras
para que eles fiquem mais próximos
da realidade

Eu gosto quando eu paro de brigar comigo mesma
e seco as lágrimas
Quando eu sorrio para o céu
E sinto as feridas sarando.